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PM Rui Araujo
Investir no futuro de Timor-Leste
FUTURO
Timor-Leste acolheu a mais recente reunião trilateral da plataforma para o Desenvolvimento Económico Sub-Regional Integrado entre Timor-Leste, Indonésia e Austrália

Ai-han Timor Nian
Ramos-Horta
"Tantangan Timor Leste Makin Berat"
ECONOMIA
"..fo-hanoin ba ukun nain sira nebe tinan tinan truka hela deit ministrus, atu hare ba povu nia moris nebe "kuaze 50%" povu sei moris iha linha pobreza nia laran..."
Australia-Timor Leste
Notre Dame students experience the world and help those in need in Timor-Leste
Empresários - Timor Telecom
Empresários timorenses e fundo das Fiji na corrida pela Timor Telecom
Timor-Leste - BAII
Timor-Leste inicia processo de adesão ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas
Timor-Leste - Maluku
Maluku kaji kerja sama dengan Timor Leste

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sortudos!... Mas...

Os "sortudos" são os bancos privados que operam em Timor Leste.De facto e ao contrário do que acontece hoje em dia com os seus parceiros de outros países --- incluindo Portugal... --- a banca privada no país tem um "problema": o do excesso de liquidez, o de "ter dinheiro a mais".O gráfico abaixo ilustra o que se passa: o volume de empréstimos concedidos pela banca é muito inferior ao montante dos depósitos disponíveis.

O negócio bancário é, como se sabe, o de servir de intermediário entre quem tem recursos (financeiros) em excesso e quem necessita deles para "tocar adiante" a sua actividade económica ou adquirir certos bens ou serviços (crédito à habitação, crédito ao consumo, etc). Por isso e para que o negócio bancário seja rentável, o desejável é que o volume de empréstimos se aproxime o mais possível do volume de depósitos. Por vezes, mesmo, os bancos chegam a obter recursos junto de outros bancos do país ou do estrangeiro para poderem emprestar aos seus clientes.
Em Timor, porém, a banca comercial, pelos mas diversos motivos, não consegue aplicar em empréstimos uma parte significativa dos depósitos que recebe e assim vê-se forçada a, para o "prejuízo" não ser tão grande, depositar ela própria parte desses recursos em bancos estrangeiros que lhes proporcionam, assim, uma rendazita graças aos juros que recebem. Note-se que estes depósitos no exterior, porque agora ficam ao dispor dos bancos de outro país, acabam por ser uma forma indirecta de financiar estes permitindo-lhes conceder um volume maior de empréstimos nas suas economias nacionais.
Isto significa, portanto, que Timor está a financiar, em parte, as economias de outros países... Que tal?!...Mas o que permite que tal aconteça --- um país pobre a emprestar a ricos... ? Um aspecto importante da resposta é o facto de tudo isto significar que o sector privado timorense é (olha a novidade!...) extremamente fraco e incapaz de aproveitar os recursos que estão à sua disposição. Esta "fraqueza" tem várias dimensões, sendo duas delas (interligadas)
(i) a falta de recursos próprios para financiar parte dos investimentos, a falta de "empreendorismo" e falta de capacidades de gestão, por um lado; e, (ii) em muitos casos, a falta das chamadas "garantias reais" (nomedamente títulos de propriedade sobre bens, incluindo terra) que possam ser penhoradas pela banca para garantirem o retornos dos recursos emprestados.Mas numa outra perspectiva (ainda mais macroeconómica?), o diferencial entre recursos disponíveis na banca e os empréstimos que ela concede --- isto é, o excesso de liquidez dos bancos --- tem uma consequência que importa realçar.
É que, a manterem-se as coisas assim, mesmo que existisse uma moeda nacional e o banco central tivesse aos seus dispor os instrumentos de política monetária que estão usualmente disponíveis nos países com moeda própria, a eficácia de tal política tenderia a ser, muito provavelmente, limitada.
De facto, um dos instrumentos essenciais dos bancos centrais com moeda própria é o exercício de um certo controlo (indirecto) dos recursos aos dispor da banca comercial e do custo destes através de políticas apropriadas.
Ora, se a banca privada tem a sua própria fonte de recursos --- os depósitos dos seus clientes --- e estes são muito excentários em relação às suas "reais" necessidades para conceder empréstimos isto significa que ela será relativamente independente do banco central --- o "emprestador de último recurso" --- e haverá uma tendência a essa banca privada ficar mais ou menos imune à política monetária, deixando esta com uma eficácia mais que duvidosa para controlar a economia.
Fonte:A. M. de Almeida Serra
www.economia-tl.blogspot.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Timor Leste: Estratégico

Estratégico
15/04/09 00:05 João Santos Lucas
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Quer para as elites quer para a generalidade dos portugueses, Timor Leste é, actualmente, o único país da Ásia que suscita algum interesse, alguma curiosidade, alguma preocupação e um pouco de emoção.

Um país pelo qual os portugueses nutrem mesmo algum afecto. A reunião anual do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), que terá lugar no início do próximo mês de Maio, irá dedicar a Timor Leste uma das suas sessões.

As estimativas quanto ao futuro de um dos mais jovens países do Mundo é positiva. Mas o facto é que Timor Leste vive num estado de significativa pobreza, que se tem agravado. A população vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou de 36%, em 2001, para 50%, em 2007, segundo o mais recente relatório do ADB, "Asia Development Outlook 2009: Rebalancing Asia's Growth" (Março 2009).

O desenvolvimento do país passa pela consolidação da estabilidade política e social, pela qualificação da população, pela sua concentração em núcleos urbanos, pela atracção de capital estrangeiro que invista e crie postos de trabalho. E por um forte investimento na infra-estrutura. E, por isso, Timor Leste elegeu 2009 como o ano da infra-estrutura. É certo que existe agora, como fonte de financiamento, um ‘petroleum fund', com um valor estimado de 4,2 mil milhões de dólares. Mas Timor Leste tem, em larga medida, sobrevivido à custa da assistência internacional. Em 2008, Timor Leste recebeu ajuda externa no valor de cerca de duzentos milhões de dólares. Portugal foi o terceiro mais importante país doador, com 20 milhões de dólares. A Austrália contribuiu com 53 milhões de dólares, o Japão com 21 milhões de dólares, a UE com 20 milhões de dólares e os EUA com 18 milhões de dólares. As áreas que mais beneficiaram desta ajuda foram as da saúde (15%), a educação (14%), a agricultura (14%) e administração pública (15%). Timor Leste está numa encruzilhada de caminhos e influências regionais sendo de esperar, mais cedo ou mais tarde, a sua adesão à ASEAN, que lhe proporcionará algum contra poder face à económicamente poderosa Austrália. O governo português está ciente deste jogo de poder e está empenhado no combate pelo desenvolvimento desta antiga colónia. No final de Março, assinou um memorando de cooperação para apoiar a criação do governo local em Timor Leste e, no princípio deste mês de Abril, subscreveu uma contribuição de três milhões de dólares para o programa "Enhancing the Democratic Rule of Law through Strengthening the Justice System in Timor-Leste programme" da UNDP. Mais recentemente foi aprovada em Conselho de Ministros a participação da República Portuguesa na 9.ª reconstituição de recursos do Fundo Asiático de Desenvolvimento tendo em vista o apoio deste a Timor Leste. Decisões que revelam uma estratégia clarividente e consequente.

É preocupante o escasso interesse dos empresários portugueses por Timor Leste. Tanto mais que na região cresce, dia após dia, o interesse por este país. A demonstrá-lo está a iniciativa de Edward Ong, empresário de Singapura, que ali irá investir 250 milhões de dólares num empreendimento turístico.

A sociedade portuguesa, e não apenas o Estado português, deverá multiplicar as suas iniciativas em relação a Timor Leste em favor do seu desenvolvimento económico e social, em favor da erradicação da pobreza. Talvez seja de recordar que, excluindo o caso do Brasil, o legado colonial português não merece elogios.

Portugal precisa de apoiar Timor Leste ajudando os timorenses a criar as suas empresas agrícolas ou industriais e a desenvolver os seus serviços. Falta desenvolvimento institucional a Timor Leste, como aconteceu a todos os países que permaneceram sob a alçada da soberania portuguesa até à independência. Sem instituições maduras devidamente enraizadas na matriz social e cultural dos povos não há condições de desenvolvimento. Agora, de novo, a Timor Lorosae.

jslucas@lucas-consult.com
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João Santos Lucas, Gestor e consultor para a Ásia Pacífico

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O que eles disseram... .....

Numa das 'entradas' de ontem estabelecemos um link para o InfoTimor e, neste, para alguns dos documentos apresentados na reunião dos "parceiros de desenvolvimento" que decorreu na semana passada.Os textos estão em inglês e creio serem acessíveis a muitos dos leitores mas para aqueles que têm mais dificuldade na leitura dos mesmos aqui ficam traduções parciais dos mesmos.Na impossibilidade de traduzir todos os textos, ficam aqui partes do que o Banco Mundial e o FMI escreveram. Dos seus textos seleccionámos aquelas partes em que se referem mais explicitamente à política de despesa pública e à sua relação com as receitas petrolíferas --- e ao Fundo Petrolífero.
Do texto do Banco Mundial:
"[Durante o ano passado] o Governo fez um trabalho notável. Foi feito um tremendo progresso [em várias áreas relacionadas com a segurança e estabilidade do país] e Timor Leste apresenta hoje ao fundo uma face diferente e mais calma. A chave foi definir um programa forte, realizável e focalizar a acção executiva na sua execução. Numa economia em grande parte dirigida pelos gastos do Estado, as despesas em dinheiro triplicaram no período entre 2006/7 e 2008 e o estímulo fiscal que resultou da [maior] disponibilidade de dinheiro trouxe consigo um crescimento de 11 a 12 por cento do PIB da economia não-petrolífera. Este resultado no passado foi uma grande realização e merece a nossa admiração. Estaria errado se sugerisse que a estabilidade está agora garantida ou que o esforço de estabilização deveria ser posto de lado mas [a verdade] é que é agora possível falarmos sobre estratégia de desenvolvimento e preocuparmo-nos com coisas como a sustentabilidade fiscal --- assunto que não era tão pertinente no ano passado. Infelizmente para Timor Leste, entretanto, o mundo além fronteiras mudou dramaticamente e isto traz desafios novos e mal-vindos para o país. A crise financeira global precipitou uma queda da actividade económica mundial não testemunhada desde meados do século passado. Todos os países serão, de uma forma ou de outra, afectados. Em Timor Leste testemunhamos uma queda alarmante dos preços do petróleo e dos rendimentos que ele proporciona ao país. Estes podem baixar este ano até apenas um terço do que foram no ano passado [i.e., uma queda de 2/3 – AS]. O Orçamento de 2009 foi formulado antes de se ter feito sentir o pleno impacto do declínio do preço do petróleo. Ele propõe um aumento de despesa de cerca de 25% comparado com o que foi gasto no último ano. As perspectivas de evolução do preço do petróleo, entretanto, estão a obrigar o Governo a questionar esta rápida taxa de expansão fiscal. Só para ilustrar o que eu quero dizer: se a despesa continuasse a aumentar 25% ao ano e se os preços do petróleo estabilizassem, a médio prazo, nos cerca de 60 USD/barril --- o que não é impossível --- então o Fundo Petrolífero estaria completamente esvaziado dentro de 8 a 10 anos a menos que novos campos petrolíferos começassem a ser explorados até então. Eu não estou a falar aqui de uma situação em que se ultrapassasse o Rendimento Sustentável mas sim do esgotamento total da principal fonte de poupanças e riqueza do país [em condições normais]. Oito a dez anos, acrescentaria, não é praticamente tempo nenhum quando se fala de desenvolvimento e não é, certamente, suficientemente longo para que o rendimento de origem não-petrolífera substitua o resultante da exploração do petróleo. É melhor nem pensar no que aconteceria em tal cenário.Estou certo de que este Governo não prosseguiria um tal percurso tão desleixado. O meu ponto é que tempos diferentes exigem soluções/aproximações diferentes. É por isso o estabelecimento de um quadro geral estratégico para o médio prazo é tão importante."
Do documento do FMI:
"3 - Timor-Leste esteve isolado de muitos dos efeitos da crise financeira mas não deixou de ser afectado.Como os rendimentos do petróleo representam cerca de 95% das receitas do Governo, o país está altamente exposto aos preços do petróleo, que desceram significativamente tal como a economia em geral. Aos preços actuais, estima-se que as receitas de petróleo de Timor-Leste caiam cerca de 60% relativamente ao nível de 2008, quando preço médio foi de cerca de 100 USD/barril. O Fundo Petrolífero serviu de almofada ao impacto dos preços mais baixos mas se eles continuarem aos níveis actuais isso significará um importante constrangimento ao orçamento. O Orçamento de 2009, cujo valor estava bem acima do valor sustentável com um aumento previsto para as despesas de 25% relativamente aos gastos efectivamente realizados no ano anterior, já estava bem acima do desejável quando o petróleo estava 60 USD/barril. Neste momento a despesa deveria ser reduzida no mínimo para reflectir os preços mais baixos dos bens importados pelo governo. Sem ajustamento, o Orçamento de 2009 implicará um défice fiscal de mais de 100% do PIB não-petrolífero, maior que os 97% estimados para 2008.
4 - Um mau ambiente económico mundial enfatiza o desafio de assegurar um crescimento sustentável e a redução da pobreza. Devido aos preços mais altos do petróleo, Timor-Leste foi capaz de mais que quadruplicar a despesa pública em apenas dois anos e mesmo assim ainda deixou dinheiro suficiente para deixar o Fundo Petrolífero com 4,2 mil milhões de USD no fim de 2008. Esta despesa ajudou a fazer face a necessidades urgentes de curto prazo e a estimular a economia. Na verdade, fervilhando de actividade, Dili mudou a um ponto em que é difícil reconhecê-la. Mas o crescimento económico não se pode basear em aumentos muito rápidos dos gastos do governo. Dados os actuais preços do petróleo as despesas públicas terão que ser fortemente controladas para evitar esvaziar as poupanças efectuadas até agora. Isto, por sua vez, realça a necessidade para hierarquizar/priorizar as despesas públicas e de obter delas mais pelo mesmo dinheiro.
7 - Acima de tudo o Fundo de Petróleo tem que ser visto como uma base fundamental da sã administração dos recursos do país. Enfatizando a transparência e a sustentabilidade, o Fundo de Petróleo ajuda a proteger o país contra a “maldição do petróleo” que afligiu tantos países ricos em recursos naturais. Devido à sua política conservadora de investir em títulos do Tesouro do Governo norte-americano, o Fundo teve um retorno de 6,9% em 2008. Este foi um bom resultado num ano onde a maioria das classes de activos [financeiros] tiveram quedas significativas. Uma maior diversificação da carteira de títulos parece possível e deve ser cuidadosamente ponderada. Quando a Lei do Fundo Petrolífero for alterada [em 2010] para acomodar uma nova estratégia de investimento sugerimos fortemente que as autoridades mantenham os princípios básicos da Lei actual. Haverá sempre pressão para gastar mais e a lei actual tem em si mesma mecanismos de flexibilidade, mas ignorar ou debilitar o quadro geral da Lei existente não é no interesse de longo prazo do país."
Fonte:A. M. de Almeida Serra

sábado, 11 de abril de 2009

A cara da ajuda a Timor Leste em 2008

A cara da ajuda a Timor Leste em 2008
Do relatório do Governo à reunião de doadores destacamos a seguinte informação sobre a ajuda prestada ao país em 2008, num total de 223 milhões USD (clicar nas imagens para as aumentar):


Despesa dos doadores por Ministérios e outras estruturas político-administrativas
Fonte:

Documentos da Conferência de Parceiros de Desenvolvimento

Acesse aqui, no Infotimor, alguns dos documentos apresentados na conferência de doadores de Timor Leste que decorreu há uma semana em Dili.
Estão disponíveis, para já pelo menos, os documentos do Governo, do Banco Mundial, do FMI, da Espanha e da China. Dadas as características dos seus autores serão especialmente interessantes os três primeiros.

Fonte:

Evolução do valor das importações em 2008

Segundo dados divulgados pela Direcção Nacional de Estatística a evolução do valor mensal das importações de Timor Leste durante o ano de 2008 foi como se ilustra no gráfico abaixo.


Note-se a evolução "em escada" ao longo do tempo, com a média dos últimos 3 meses do ano a trepar para mais do dobro da média dos primeiros 5 meses --- e isto apesar da queda significativa do preço dos combustíveis e do arroz.
Esta é uma evolução usual em situações de mais rápido crescimento económico e no caso de Timor Leste é também, certamente, um sinal desta aceleração. Porém, ela será mais "virtuosa" ou menos "virtuosa" conforme a estrutura das importações: se o aumento se dever a maiores importações de bens de investimento é "virtuosa" na medida em que significa instalação de capacidade produtiva que virá a ser utilizada no futuro para produzir mais bens de origem nacional --- ao mesmo tempo que aumenta o emprego, por exemplo.
Se as importações forem essencialmente de bens de consumo o seu (muito) rápido crescimento significa que se estão a gastar recursos nacionais sem que isso contribua para uma aceleração do crescimento futuro. Infelizmente parece ser este o caso de Timor Leste: a taxa de crescimento das importações reflecte principalmente uma forte aceleração do consumo (privado e público).
Por isso quando alguns observadores, nomeadamente de organizações internacionais, "embandeiram em arco" com uma taxa de crescimento que uns dizem ter sido de 10% e outros de 12,5% é bom "temperar" o entusiasmo perguntando o que é que, na despesa nacional (uma forma de medir o produto nacional), cresceu efectivamente. É que há crescimentos e crescimentos.
Fonte:

Taxa de inflação

Há pelo menos duas formas de medir a taxa de inflação anual: a chamada taxa média, que usa a média de doze meses comparada com a dos 12 meses anteriores e a taxa homóloga, mais simples de calcular e que compara apenas a variação dos preços entre um determinado mês e o seu homólogo do ano anterior.
Neste caso poderemos dizer que a taxa homóloga de Dezembro de um ano corresponde à taxa de inflação desse ano já que compara o índice de preços de Dezembro de um ano com o de Dezembro do ano anterior. Em Timor Leste a taxa anual que usualmente é divulgada é a taxa homóloga e não a taxa média.
O gráfico abaixo ilustra a evolução das taxas homólogas entre Janeiro de 2006 e Dezembro de 2008. Os valores assinalados a vermelho num quadrado amarelo correspondem, pois, às taxas (homólogas) de inflação dos anos 2006, 2007 e 2008
A última taxa correspondente que foi divulgada foi a de Janeiro deste ano: 6,5%. Isto é: a taxa de variação dos preços entre Janeiro do ano passado e Janeiro deste ano foi, em média, 6,5%.Uma análise mais "fina" permitiria concluir que na variação dos preços tem um papel fundamental a de bens importados, mais que a de bens produzidos em Timor Leste, pelo que a inflação no país é fundamentalmente "importada", particularmente pela variação dos preços de alguns bens como os produtos petrolíferos (gasolina, gasóleo) e o arroz, sujeitos a grandes oscilações no mercado mundial em 2007 e 2008.O "pico" de taxa de inflação homóloga registou-se em Fevereiro de 2007, com 17,9%. Isto deve-se ao facto de esta taxa incorporar em si a grande variação de preços (8,8% de um mês para outro) registada em Fevereiro de 2006 em resultado da instabilidade político-social então vivida.
Já agora acrescente-se que o IPC-Índice de Preços no Consumidor (cuja variação serve de base ao cálculo da taxa de inflação) foi de 125,6 em Dezembro de 2006, 136,4 no mês homólogo de 2007 e de 146,6 em Dezembro de 2008.
Como a sua base é Dezembro de 2001 = 100, isto significa que entre este último ano e Dezembro do ano passado (sete anos) os preços aumentaram, em média, quase 47%. Contas "redondas": 50%.Foi esse o montante da perda de poder de compra dos rendimentos durante esse período.
Um aumento dos salários ou outros rendimentos em Janeiro passado que repusesse esse poder ao nível do de Dez/01 deveria ter sido de cerca de 50%. Todos os aumentos superiores a esta percentagem significam um aumento do poder de compra real face ao fim de 2001.De quanto foi o aumento dos seus rendimentos desde este último mês? :-)
Fonte:A. M. de Almeida Serra

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G20 avança com 1,1 biliões para a economia mundial

Gordon Brown confirmou em conferência de imprensa que o G20 decidiu avançar com um pacote de 1,1 biliões de dólares para tentar travar a recessão mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.

Da Cimeira que juntou 20 líderes mundiais em Londres saiu também um acordo para reforçar a regulação no sistema financeiro, a origem da actual recessão económica.

"Este é o dia em que o mundo se uniu para combater a recessão. Não apenas com palavras, mas com um plano para recuperar e reformar a economia com prazos bem definidos", disse o primeiro-ministro britânico durante a conferência de imprensa que fechou a reunião das 20 maiores potências mundiais.

Uma das medidas destacadas por Gordon Brown é a criação de um pacote de 1,1 biliões de dólares (818 mil milhões de euros) que chegará à economia mundial através do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras instituições.

Com este plano e os pacotes de estímulo fiscal de cada país, o G20 conta injectar cinco biliões de dólares (3,71 biliões de euros) na economia até 2010.

Na mesma conferência, Brown disse esperar que a economia mundial possa recuperar antes das últimas previsões do FMI.

Para avaliar as medidas tomadas hoje em Londres, o G20 vai voltar a reunir ainda este ano.

Os mercados reagiram em alta a este anúncio. As bolsas europeias fecharam a ganhar mais de 4%, enquanto que Wall Street segue a subir mais de 3,5%.

Fonte:diario economico

G-20 Reaffirms IMF's Central Role in Combating Crisis

The Group of Twenty (G-20) industrialized and emerging market economies has reaffirmed the IMF’s central role in the international financial system, agreeing to triple the Fund’s lending capacity to $750 billion and enabling it to inject extra liquidity into the world economy, according to Managing Director Dominique Strauss-Kahn.

At their summit in London on April 2, the G-20 leaders decided to dramatically beef up the IMF’s lending capacity to support its ability to combat financial contagion, providing significant new financing and a broad mandate for action.

Strauss-Kahn told reporters that the huge increase in IMF resources would bolster the IMF’s firepower to help economies around the world respond to the crisis, which has plunged economies into recession and sent world trade plummeting. Low-income countries would also get help, with leaders proposing more than a doubling of concessional lending resources.

The G-20 leaders agreed to triple the IMF's war chest to $750 billion. And they will back the IMF in effectively creating an additional $250 billion by issuing "special drawing rights," or SDRs, the institution’s own reserve asset or quasi-currency that borrowing nations can draw upon if needed.

IMF’s multiple roles

Strauss-Kahn told a press conference after the G-20 summit that the IMF’s role in helping to combat the global economic crisis and reinforce the financial system had been reaffirmed in a variety of ways.

    • Economic forecaster. IMF economic forecasts were now the central reference point for countries planning how to respond to the crisis. The IMF is forecasting that the global economy will recover in 2010, but only if the right policy actions, including a coordinated fiscal stimulus, are taken.

    • Policy advisor. The IMF has been outspoken during the crisis in pressing for a coordinated response to the crisis through cuts in interest rates, big increases in government spending, cleaning up the financial sector, and bolstering regulation. The IMF had become a partner for governments to discuss policies and help them analyze what policy responses to the crisis would work.

    • Economic surveillance. The IMF will monitor policy implementation by governments around the world and has been asked to beef up early warning systems, along with the Financial Stability Forum. “We call on the IMF to assess regularly the actions taken and the global actions required,” the G-20 communiqué said. Strauss-Kahn said the IMF has a unique capacity to analyze the relationships between financial markets and the real economy, with a global perspective given its membership. “Our global and country monitoring procedures are being sharpened, including with a new mechanism for early warnings,” he stated.

    • Global lender. The resources the IMF has to support its members will be tripled to $750 billion, including $100 billion each from Japan and the European Union. The IMF will use the money to buttress countries affected by the global downturn. Strauss-Kahn pointed to Mexico, which is seeking $47 billion in a precautionary credit line from the IMF. He pointed to new changes in IMF lending policy to make it more flexible.

    • Provider of help to low-income countries. Strauss-Kahn said he had committed at a conference in Tanzania last month to being the voice for low-income countries at the G-20 summit. The summit set a target to more than double concessional lending to the world’s poorest countries. “So the commitment made by the IMF in Dar es Salam has been fulfilled, and the low-income countries are not forgotten at the G-20.”

    • Boosting world liquidity. The G-20 mandated the IMF to make a new general allocation of SDRs which will inject $250 billion into the world economy and increase global liquidity. Strauss-Kahn said that although $250 billion did not seem that much in a global context, “you will see that it’s the beginning of increasing the role of the IMF, not only as a lender of last resort, not only as a forecaster, not only as an advisor in economic policy and its old traditional role, but also in providing liquidity to the world, which is the role finally and in the end, of a financial institution like ours."

Making IMF representation fairer

Reflecting the growing clout of emerging markets, the G-20 leaders committed to implementing the package of IMF quota and voice reforms agreed in April 2008 and agreed to bring forward a further review of quotas by January 2011. Quotas determine country representation at the 185 member institution.

The G-20 also agreed to consider greater involvement of the Fund’s Governors in providing strategic direction to the IMF and increasing its accountability. They agreed that the heads and senior leadership of the international financial institutions should be appointed through an open, transparent, and merit-based selection process.

Gold sales

The G-20 communiqué said that IMF would use part of the proceeds of a previously proposed sale of gold to provide concessional financing for low-income countries.

A move to sell gold must be supported by 85 percent of the Fund’s executive board, and will require legislative action by several member countries, including the United States.

The proposal to sell 403.3 metric tonnes of IMF gold had been agreed last year as part of a plan to bolster the Fund’s income. The communiqué suggested that part of the proceeds could now be used to provide concessional financing. “We have committed, consistent with the new income model, that additional resources from agreed sales of IMF gold will be used, together with surplus income, to provide $6 billion additional concessional and flexible finance for the poorest countries over the next 2 to 3 years. We call on the IMF to come forward with concrete proposals at the Spring Meetings,” the G-20 leaders said.

The IMF and the World Bank will hold their Spring Meetings in Washington on April 25-26.

O G20 deve reconfigurar a globalização



01.04.2009 - 18h38 José Manuel Durão Barroso
A cimeira do G20 a realizar em Londres constitui uma oportunidade única para obter resultados que contribuam para pôr termo à actual crise financeira e económica e para evitar futuras crises. Estou confiante no êxito da cimeira. Em nome da manutenção e da criação de postos de trabalho e da prosperidade, tanto aqui, na Europa, como no resto do mundo.

Estamos a viver a primeira grande crise da era da globalização. Alguns referem-se mesmo à "crise da globalização" e por isso defendem a "desglobalização" .

Apesar de a ideia poder parecer plausível, é completamente errada. A saída para esta crise não reside na "desglobalização". O proteccionismo e o nacionalismo económico são falsos amigos que mais não fazem do que agravar a pobreza e os conflitos: foi o que aconteceu nos anos 30. A saída para esta crise reside numa "reconfiguração da globalização".

Precisamos de estabelecer um conjunto de regras globais que nos permitam regular a globalização. Só trabalhando em conjunto poderemos colocar o potencial dos mercados ao serviço dos cidadãos e fazer face a desafios globais, como as alterações climáticas, a segurança energética e a luta contra a pobreza.

As novas regras globais devem basear-se em valores e princípios éticos, respeitando e estimulando a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Devem, além disso, permitir que os mercados recompensem o trabalho árduo e o espírito de iniciativa e não a mera especulação.

A União Europeia encontra-se particularmente bem posicionada para se tornar o motor desta evolução para uma globalização assente em valores e em regras. Nenhuma outra região do mundo dispõe da mesma experiência em matéria de adopção e aplicação eficaz de regras transnacionais. As nossas construções comuns - do mercado interno ao euro - têm-se revelado decisivas nos esforços de estabilização, desde que a crise começou, e constituem a melhor plataforma possível para o relançamento da economia europeia e global.



A União Europeia vai a Londres com uma mensagem comum. Tomámos em conjunto decisões rápidas e decisivas. Apresentámos um enorme pacote de estímulo: os esforços dos Estados-

-membros e da UE ascendem a mais de 400 mil milhões de euros. Coordenámos a nossa acção para estabilizar os nossos bancos. Ajudámos os Estados-membros em dificuldade, designadamente a Letónia, a Hungria e a Roménia. Concebemos um projecto global para tornar os mercados financeiros mais eficazes e mais seguros.

A Comissão propôs medidas para reforçar os requisitos de fundos próprios dos bancos, melhorar o sistema de garantia de depósitos e tornar mais exigente a regulação das agências de notação de crédito. Propusemos melhorias na supervisão transfronteiras das mais importantes instituições financeiras, incluindo a criação de um novo organismo para acompanhar a acumulação global de riscos no sistema e para tomar medidas preventivas. Nas próximas semanas, serão apresentadas novas propostas sobre os fundos especulativos (hedge funds), os capitais de investimento (private equity) e a remuneração dos administradores.

Por outro lado, ainda no contexto da luta contra a crise, os responsáveis políticos da UE acordaram, no Conselho Europeu da Primavera realizado em Bruxelas, em apoiar um aumento substancial dos recursos do Fundo Monetário Internacional, para os quais a Europa contribuirá com 75 mil milhões de euros. Esta medida acresce à duplicação já decidida para 50 mil milhões de euros do limite da assistência intracomunitária à balança de pagamentos dos Estados-membros que não integram a zona euro.

Em Londres, esforçar-nos-emos por chegar a acordo sobre as quatro questões fundamentais.

Em primeiro lugar, a adopção de um estímulo económico de grande dimensão, coordenado e sustentável, para atenuar os efeitos da crise para os nossos cidadãos e para relançar a economia real.

Será igualmente necessário restaurar a confiança no sistema financeiro. Não apenas por causa dos bancos, mas em nome dos empresários e dos trabalhadores da economia real que necessitam de crédito. Precisamos de avançar rapidamente com medidas para que os bancos voltem de novo a conceder crédito,. Tal implica pôr termo à incerteza que paira sobre a dimensão das perdas dos bancos, eliminando os activos depreciados (ditos "tóxicos") dos seus balanços. Ao mesmo tempo, devemos reforçar a supervisão a nível mundial e colmatar as lacunas existentes - nomeadamente no que diz respeito aos paraísos fiscais. É, portanto, necessária uma reforma geral das instituições financeiras internacionais.

Em terceiro lugar, devemos enviar uma mensagem forte contra todas as formas de proteccionismo, promovendo a liberalização do comércio através de progressos nas negociações de Doha.



Por fim, no que constitui talvez o aspecto mais importante, deveremos caminhar no sentido de um mundo mais justo, reforçando os nossos compromissos face aos países em desenvolvimento e tornando o FMI mais representativo. Não devem ser os países em desenvolvimento a pagar o custo de uma crise criada nos países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento precisam de mais ajuda. A criação de um instrumento global de financiamento do comércio constitui uma das medidas propostas pela UE. Precisamos da contribuição dos países em desenvolvimento para fazer face aos desafios globais, como por exemplo as alterações climáticas. Queremos chegar a um acordo global na Conferência de Copenhaga a rea-lizar ainda este ano.

Existe já uma significativa convergência de ideias a nível global, essencialmente com os EUA. Devemos notar, com orgulho, que grande parte do consenso surgiu em torno das ideias da Europa e do modelo económico europeu. O Plano de Recuperação dos EUA, por exemplo, destaca medidas para melhorar os cuidados de saúde e proteger os mais vulneráveis, bem como o investimento a longo prazo, nomeadamente em infra-estruturas. Estas medidas já foram tomadas na maior parte da UE. Têm-se revelado benéficas não só em termos de limitação das dificuldades, como pelo facto de, em períodos de conjuntura económica desfavorável, assegurarem automaticamente um apoio à procura e à preservação do emprego.

Devido a estes "estabilizadores automáticos" que existem na Europa, qualquer comparação dos níveis de despesa entre os EUA e a UE é altamente falaciosa. É por isso que as nossas posições sobre a dimensão global do estímulo a conceder são mais próximas do que pode parecer à primeira vista. Verifica-se a mesma tendência para uma convergência em relação às questões regulamentares.

Existem, portanto, já grandes áreas de consenso em vésperas do G20. O desafio consiste agora em transformá-las em medidas concretas para corrigir a actual situação. A Europa estará à altura deste desafio e estamos confiantes de que o mesmo acontecerá com os nossos parceiros. Gostaria de assegurar aos cidadãos europeus que as suas preocupações se encontram no cerne das nossas discussões e do que virá a ser decidido. Estou consciente de que muitas pessoas temem pelo seu emprego, pelo seu empréstimo hipotecário ou pelas suas poupanças. A minha preocupação principal nesta fase consiste em assegurar que tudo o que fazemos contribui para melhorar a situação do emprego. Se conseguirmos transformar, na próxima quinta-feira em Londres, as nossas boas intenções em acções conjuntas, daremos resposta às legítimas expectativas dos nossos cidadãos.

Presidente da Comissão Europeia
Fonte:Publico

A Economia Asiática e de Timor Leste segundo o ADB

O Banco Asiático de Desenvolvimento, com sede em Manila, publicou hoje o seu principal relatório anual, o Asian Development Outlook 2009.
Nele se prevê que o conjunto dos países em desenvolvimento da Ásia (que inclui, nomeadamente, a China e a Índia e também Timor Leste) sofrerá um forte abrandamento do seu crescimento económico durante o presente ano. De facto, depois de ter crescido 9,5% em 2007 e 6,3% em 2008, o Banco espera que o grupo cresça apenas 3,4% em 2009, recuperando eventualmente para os 6% em 2010.
Esta queda do ritmo de crescimento fica-se a dever ao contágio da crise económica nos países mais industrializados e consequente queda das suas importações, muitas delas oriundas da Ásia em desenvolvimento. A quebra das exportações desta é, pois, a razão principal do abrandamento do seu crescimento.
Note-se que as estimativas de crescimento feitas pelo ADB partem do princípio de que a contracção do produto nos países industrializados será de cerca de 2,6% (i.e., "crescerá" à taxa de -2,6%) e o comércio internacional diminuirá 3,5% em relação ao ano passado.

Só que... a OCDE acaba de publicar, também hoje, as suas previsões para este ano, bem mais pessimistas que as do ADB. Segundo ela a queda da produção nos países industrializados (os da OCDE) será de 4,3% (e não os 2,6% previstos pelo ADB) e a queda do comércio internacional atingirá o número "impensável" de -13,2%!...
Acrescente-se que a OCDE põe, desde já "as barbas de molho" e vai dizendo que não se admirava nada se a queda da produção no conjunto dos seus membros ultrapassasse aqueles -4,3%. "'Tá lindo isto, 'tá..." Recuperação? Em 2010 e e!...

Isto é: a confirmarem-se as previsões da OCDE a queda da economia asiática será, muito provavelmente, bem maior que o que foi agora previsto pelo banco asiático. Especialmente preocupante é a previsão de queda do comércio internacional, que pode atirar com o crescimento desta região para níveis pouco acima da linha de água...

Uma nota quanto às previsões do ADB e da OCDE para a evolução do preço do petróleo bruto em 2009. Enquanto o primeiro estima que ele vai ser, em média, de 43 USD/barril (50 em 2010), a segunda estima que será de 45 USD/barril este ano. Qualquer dos valores está bem abaixo da previsão do OGE2009 de Timor Leste: 60 USD/barril.
Estes números são, naturalmente, más notícias para o país já que as receitas do petróleo serão, a confirmarem-se os valores estimados pelas duas organizações internacionais, muito menores que no passado recente. Em 2008 o preço médio do barril foi de 97,3 USD, pelo que as actuais estimativas para 2009 apontam para receitas petrolíferas de Timor que serão um pouco menos de metade das do ano passado, com todas as suas consequências sobre o financiamento do OGE e das actividades --- nomeadamente de investimento --- nele previstas.

Finalmente, ficam abaixo as três páginas em que no Asian Development Outlook se apresenta a evolução recente da economia de Timor Leste (clicar nas imagens para as tornar legíveis). Voltaremos a esta análise mais tarde.
Fonte:A. M. de Almeida Serra
www.economia-tl.blogspot.com