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segunda-feira, 26 de março de 2012

Como vai a medição da inflação em Timor Leste?

A taxa de inflação de um país é medida a partir do chamado Índice de Preços no Consumidor e este, por sua vez, é construido por técnicas apropriadas a partir de um "cabaz de compras" médio da população do país determinado através de inquéritos às despesas das famílias.
O IPC de Timor Leste tem como base um inquérito feito em meados de 2001 que representa --- há quem diga que, já na altura, com deficiências --- o "cabaz de compras" médio, na altura, de uma família. Isto é, a base do IPC tem mais de 10 anos, 10 anos em que muita coisa mudou no país e, nomeadamente, a estrutura do consumo médio das famílias. Por isso o actual IPC já não é um bom instrumento para medir a inflação entre nós.
Em 2007 foi feito um inquérito semelhante mas por diversas razões nunca foi possível usá-lo como base para rever o Índice de Preços.
Quão diferente seria o IPC e, com ele, a taxa de inflação se tivessemos um instrumento mais actualizado para medir a inflação? Será que esta seria maior ou menor que o que nos diz o actual IPC? Seria pura especulação responder num sentido ou noutro. Mas parece evidente que há grupos do "cabaz" que estão hoje sobrerepresentados e outros subrepresentados. Mais: os locais onde são recolhidas as informações sobre os preços têm de ser muito alterados, pois no inquérito de 2001 só se tiveram em consideração os "mercados tradicionais"... na época praticamente os únicos existentes, quando hoje é vulgar os consumidores usarem também os chamados "supermercados" como fonte de abastecimento.

Regressando ao caso dos grupos de produtos, vejamos o exemplo de outros países da região:

Cada caso é um caso. I.e., cada país é um caso diferente mas vale a pena comparar os valores que aqui figuram para a parte dos produtos alimentares no peso no "cabaz" de vários países e o seu peso em Timor Leste, onde é de 56,7%.
Acreditamos que este peso está, em relação à realidade actual, muito "inflacionado". Não nos admiravamos se o peso, hoje, estivesse mais perto dos cerca de 45% --- ou mesmo um pouco menos. Por outro lado, o grupo dos "transportes" está, acreditamos, agora subavaliado.

Se o peso da "alimentação" for actualmente bastante mais baixo que em 2001 e dado que tem sido esta a principal responsável pelo aumento recente da taxa de inflação tal como medida pelo actual IPC, pode acontecer que esta nem esteja a ser, na verdade, tão alta como pensamos (13,5% em 2011). O que não quer dizer que não seja igualmente elevada... Mesmo que a alteração do IPC a fizesse baixar para cerca de 10%, por exemplo, continuaria a ser muito alta...

Tudo isto para enfatizar a URGÊNCIA de se rever o IPC, actualizando-o, de modo a termos uma ideia mais precisa do que se passa quanto à inflação. É que com um "estetoscópio" estragado, o "médico" pode enganar-se no diagnóstico da doença e isso ... "ser a morte do artista"!...

Inflação de Timor Leste.

Na "entrada" anterior apresentámos o essencial do panorama da evolução da inflação em Dili em Janeiro de 2012 (os números para o país, dada a metodologia utilizada, não são muito credíveis e são, por isso, "esquecidos" por quase todos os observadores do fenómeno).
Apresentamos abaixo alguma desagregação desses números quanto à taxa homóloga. Recordamos que esta compara a evolução dos preços entre dois meses com o mesmo nome mas de anos seguidos. Por exemplo, a evolução entre Janeiro de 2011 e Janeiro de 2012.

A "grosso" estão os diversos grupos de produtos que compõem o cabaz de compras que permite calcular o Índice de Preços no Consumidor. À frente de cada grupo de bens está o seu peso aproximado no cabaz. Por exemplo, as "carnes e derivados" representam cerca de 7,5% desse "cabaz" porque, segundo o inquérito às despesas familiares que serve de base ao IPC (realizado em 2001) as famílias farão, em média, cerca de 7,5% da sua despesa na compra de diversos tipos de carne (galinha, porco, búfalo, vaca).
Nas colunas de Dezembro/11 e de Janeiro/12 constam as taxas homólogas de cada grupo. Assim, podemos verificar que em Janeiro passado os "cereais, raízes e seus produtos" (em que a grande maioria é representado pelo arroz importado) tinham preços, em média, 21% mais altos que em Janeiro de 2011. A taxa correspondente para a "carne e seus derivados" (o grupo que terá encarecido mais) é de quase 32%!
Os "materiais de construção", em que as famílias faziam/farão (?) cerca de 5,7% do seu gasto total, aumentaram quase 20% em Jan12 comparativamente com um ano antes.

Deixemos aqui algumas preocupações quanto a estes valores, algumas delas já "ditas e reditas" nestes comentários:
a) a estrutura do consumo não é actualmente, acreditamos, a mesma de 2001, tendo havido algumas alterações que podem ser profundas;
b) a bem da comparabilidade dos dados, os preços são, no essencial, recolhidos juntos dos mesmos "informadores" de 2001, muitos deles operadores nos mercados "tradicionais" e hoje muitos consumidores usam, em Dili, alguns dos vários supermercados como fonte do seu abastecimento pelo que há que melhorar a represnetatividade destes no conjunto das fontes de recolha dos preços;
c) embora não possamos ir, aqui, muito mais longe do que vamos dizer, parece existir, nalguns casos, uma discrepância entre os preços que servem de base aos cálculos e aqueles com que nós, consumidores, nos deparamos no dia a dia: é o preço da "penca" de bananas que não bate certo com o que pagamos, é o preço médio da gasolina ou do gasóleo que está, por vezes, bem acima do que as estatísticas nos dizem; etc.

Enfim e mais uma vez: por favor, façam uma revisão urgente de todo o processo de determinação da evolução da inflação...

Inflação de Timor Leste: "nacional" ou "importada"?

Tivemos acesso recentemente a alguns estudos sobre a inflação em Timor Leste e suas causas. Todos reconhecem que a taxa de inflação média anual (e a homóloga) é muito elevada e que é necessário que baixe. E depressinha...
Só que uns tendem a ver a principal causa da elevada inflação na evolução de alguns factores externos e outros, em que me incluo, a chamar a atenção para a crescente importância dos factores internos na subida da inflação.
Um exemplo dos primeiros é o texto abaixo, com o origem no ADB-Asian Development Bank (na verdade assinado pelo seu representante no país) e publicado na edição de Dezembro passado do Pacific Economic Monitor.
Não negamos que numa economia extremamente aberta e dependente das importações como é a de Timor Leste o que se passa nas suas relações económicas internacionais é determinante para a economia nacional. O problema é a importância relativa que elas têm num determinado momento comparativamente com as determinantes mais nacionais, internas à economia (e à política económica) do país.
É aqui que surge a nossa discordância. Se estamos prontos a reconhecer que há uns 2-3 anos atrás a componente "importada" da inflação era mais importante que a componente "interna", hoje estamos convencidos que a importância relativa de ambas se alterou, sendo as causas nacionais (um pouco?) mais importantes que as externas/importadas.
Qual a relevância de saber de quem é a "culpa"? Enorme! O primeiro passo para o sucesso de qualquer política económica é um diagnóstico correcto da situação e determinar se as "culpas" estão "aqui" ou "acoli" é meio caminho andado para a cura... Tal como em qualquer doença: um erro no diagnóstico feito pelo médico e lá vai o doente para os anjinhos... (Credo! Abrenúncio! Vira essa boca para lá!...)
Um argumento do tipo "o aumento do preço do peixe deve-se ao aumento do preço da gasolina" quando nós vemos os pescadores a remarem a toda a força, à mão, os seus "beiros" a 40 ou 50 metros da costa não nos parece um bom argumento. Mesmo que haja uma simultaneidade do aumento de ambos registada na estatística isso não significa que haja uma relação de causalidade. Trata-se apenas de uma coincidência.
Em 2011 os preços deram um "salto significativo" nos primeiros meses do ano, cremos que principalmente devido aos efeitos de uma época das chuvas particularmente rigorosa e não devido ao aumento do preço do petróleo --- mesmo que este não tenha sido irrelevante.

Argumentar que as causas são essencialmente externas (aumento do preço do petróleo; desvalorização do dólar americano, nomeadamente face à rupia indonésia; etc) parece-nos uma interpretação "enviesada" da realidade que (e esse é um dos principais problemas) pode levar os decisores de política económica (particularmente da política orçamental) a um quase "encolher de ombros", como se se tratasse de uma qualquer maldição de Maromak contra a qual nada há a fazer.
Mesmo que tal fosse verdade (i.e., que as causas fossem fundamentalmente externas) a obrigação dos decisores de política económica era/é "não deitar mais achas para a fogueira" ou derramar mais gasolina sobre gasolina a arder...
Ora acreditamos que uma política orçamental demasiado "generosa", com aumento significativo dos gastos públicos (nomeadamente em investimentos cujo produto "não se come"), é NESTE MOMENTO e provavelmente a causa principal da aceleração da inflação a que assistimos nos últimos tempos pois contribuem para um crescente desequilíbrio da procura face à oferta que se "resolve" com aumento das importações e aumento dos preços no nosso país (i.e., com inflação).
A conclusão (e nela estamos com as sugestões do FMI, por exemplo) é a de que é aconselhável uma maior moderação nos gastos públicos. Defender isto NÃO é ser contra o desemvolvimento do país, antes sendo a favor de um desenvolvimento mais equilibrado e socialmente mais justo (todos sabem que a inflação é o pior inimigo das camadas mais pobres), "olhando o futuro" com um horizonte temporal mais largo e não apenas com "óculos de ver ao perto".
Neste contexto, esperamos que o período pré-eleitoral não seja utilizado para "deitar mais lenha na fogueira" com obras e mais obras que, sendo muitas delas necessárias, podem ter um timing mais apropriado no contexto de uma boa gestão macroeconómica. A autêntica "fúria" que detectámos recentemente quer nas ruas de Dili quer noutras estradas em arrancar longos bocados do piso de ruas/estradas que pareciam aguentar mais uns anos não são bom sinal... Será que para tapar decentemente buracos nas mesmas é necessário arrancar tudo?... ...

PS - acho que é apropriado relembrarmos ao leitor o que está escrito na coluna mais à esquerda deste blogue sobre o facto de o que aqui fica me responsabiliza só a mim e não, de maneira nenhuma, o meu empregador neste momento, o Banco Central de Timor-Leste. Este tem apenas um porta-voz: o seu Governador. Neste sentido, não dou "recados" de ninguém, que, naturalmente, não precisa de mim para os dar a quem de direito.